Não tem médium, e agora? – parte 3

No artigo de Allan Kardec sobre a escassez de médiuns nos deparamos com a informação de que nas reuniões sérias o ensino fundamental é dado pelos Espíritos. Neste cenário os Bons Espíritos não só se comunicam, mas ensinam. De forma alguma isto se passava somente nas reuniões que Allan Kardec organizava, os Espíritos ensinavam a torto e a direito. Antes que alguém diga que isso é coisa que era necessária somente no início do Espiritismo, devemos nos perguntar se a doutrina espírita é estacionária ou se ela deve avançar… Porque se deve avançar em seus postulados, o ensino dos Espíritos não deve ser menor hoje do que foi no início. No entanto, Kardec orienta-nos a respeito do seu próprio método de trabalho. O seu método remete diretamente ao caráter da revelação espírita, seu duplo caráter. Vejamos o que diz o fundador do Espiritismo:

O ensino fundamental que se vem buscar nas reuniões espíritas sérias é, sem dúvida, dado pelos Espíritos. Mas que frutos tiraria um aluno das lições dadas pelo mais hábil professor se ele também não trabalhasse? Se não meditasse sobre o que ouviu? Que progressos faria a sua inteligência se tivesse constantemente o mestre ao seu lado, para lhe mastigar a tarefa e lhe poupar o esforço de pensar?

Os Espíritas eram chamados a pensar aquilo que recebiam dos Espíritos. Se se tratasse de uma revelação religiosa, os adeptos do Espiritismo não teriam que pensar nada, mas somente aceitar tudo aquilo que viesse do invisível. Qual fruto tiraria o aluno se não meditasse sobre o que ouviu, diz Kardec. Onde estaria o mérito do aluno se o professor lhe poupasse todo o trabalho, é a pergunta que Kardec faz. Essas questões nos dizem que os Espíritas no trato do ensino dos Espíritos, para tirarem proveito das comunicações, devem analisá-las e estudá-las. Não só para apreenderem o que é racional e sensato, como também para rejeitarem o que é sem fundamento ou bizarro.

Nas reuniões espíritas, os Espíritos desempenham dois papéis: uns são professores que desenvolvem os princípios da Ciência, elucidam os pontos duvidosos, e sobretudo ensinam as leis da verdadeira moral; outros são material de observação e de estudo, que servem de aplicação.

Nos itens 14 e 15 do Capítulo I de A Gênese encontramos uma dissertação de Kardec a respeito da ideia de que o método de elaboração do Espiritismo o caracteriza como ciência de observação. O item 15 possui um exemplo prático de como chegou-se a conclusão de que em alguns casos os Espíritos inferiores sofrem a ilusão de ainda estarem vivos. O princípio não antecedeu a observação, mas foi decorrente desta. Por isso, o papel dos Espíritas jamais deverá ser passivo pois que sempre haverá algo que perscrutar na comunicação dos Espíritos. Ao se referir aos Espíritos como professores, Kardec diz que eles elucidam pontos duvidosos. Um ponto só é colocado em dúvida porque é preciso que ele possua sentido dentro do conjunto de princípios que já foram verificados, se não possui esse sentido então é questionado. O que é colocado em dúvida, o é justamente porque as comunicações recebidas, não são simplesmente aceitas como verdades, mas amadurecidas pelo raciocínio a partir de uma postura proativa. Quanto as leis da verdadeira moral, nota-se que faz parte da estrutura fundamental da ciência espírita, não só o entendimento, mas a vivência da moral ensinada pelo Cristo. Continua…